14 Maio, 2005

Afinal, o que querem os ateus ?

Passei por uma fase em que os discursos de Lula, José Dirceu ou J. Genoíno ou outros simpatizantes de Fidel, como Chávez e Frei Betto, aquele excomungado, me causavam uma angustia inexplicável. (Quanta gente estranha num mesmo parágrafo!)

Finalmente descobri que o que tanto me causava ansiedade era a superioridade moral destas pessoas todas. Aquela superioridade que transparece em seus discursos, textos e argumentações.
Aquele indefectível meio-sorriso dos superiores.

Felizmente isso passou depois da leitura de bons livros como este, bons blogs como este , e principalmente depois de muito recolhimento e reflexão.

Há um tempo descobri que uma outra coisa me incomodava muito.
Os ateus ou assim denominados, os que "não acreditam em nada disso", ou em nada de nada, exibem o mesmo ar de superioridade.
Afinal, como todos sabem, o fato de não se acreditar em nada é um passo a mais na evolução mental e neural do ser humano. Para eles a não-crença, a falta de fé, simbolizam a transposição de um mundinho em que havia a necessidade de mitos ou superstições, tão necessárias aos primitivos.
Referem-se aos religiosos ou àqueles imbuídos de espiritualidade e fé como crianças que precisam do papai-noel para seu Natal ser mais feliz. Referem-se a Deus ou a fé como "placebão".
Os que acreditam em Deus o fazem por precisarem de uma muleta para a sobrevivência. Por serem incapazes de viver a realidade fria de um universo sem propósito, por serem incapazes de encarar a inutilidade de sua própria existência.
Os ateus têm orgulho de não serem espiritualmente diferenciáveis de uma mosca, um dromedário ou de um vaso de samambaias. Daí sua superioridade moral.
Nós que acreditamos em Deus, em vida após a morte, na ressurreição dos mortos, ou na reencarnação do espírito, somos apenas vítimas de auto-engano. Tudo isso são apenas construções humanas, habilmente moldadas durante milênios para tornar mais suportável a tarefa de nascer, crescer, defecar, reproduzi-se e cuidar da prole.
Não precisamos de deus (assim mesmo em letras minúsculas), dizem eles; algumas vezes num ato falho deixam escapar: "desculpe, mas não consigo acreditar em nada disso.
Os ateus são fortes, encaram a realidade de frente, são felizes agora e já. Não temem a inexistência futura, não temem o não-ser. Daí sua superioridade e desdém.

Parafraseando um certo rapaz, são mesmo muito chatos!
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